Foram 15 dias entre cinemas, filas, rolos que chegaram atrasados, gerentes que não deixavam a gente entrar no começo da sessão, Tarantino que não veio e mais de 300 filmes. Assisti 45. Nenhum recorde, mas vamos combinar que ver, escrever, entrevistar, pegar sol, chuva, vento e ainda ser feliz com tudo isso, não é para qualquer um. Uma verdadeira maratona – já estou pronta para as Olimpíadas de 2016.
O Festival do Rio é isso aí: gente feliz, bronzeada, esperta furando fila e mais esperta ainda aproveitando filmes que passam antes aqui. Um luxo. Tudo bem que muita gente reclamou que Tarantino não veio… mas e daí? Não veio e ficou sem saber o que perdeu! Melhor para Marc Webb e Juan José Campanella, que vieram e se deram bem: com simpatia e carisma, conquistaram público e crítica – eu que o diga, fofos os dois!
Mas não é hora de lamentar e sim de comemorar, é claro, a sua companhia, querido leitor, que conferiu aqui em nosso blog o que rolava no Festival do Rio 2009. Muito bom saber que tanta gente veio, viu e gostou do que fizemos nestes longos dias. E para não deixar vocês na mão, aí vão os melhores e piores do Festival, que já vale como uma retrospectiva desses dias em que o cinema foi a grande estrela carioca – e não a praia, como de costume, né?
Para quem for aproveitar a repescagem, é bom ficar de olho no que vale a pena ver. E como não gosto de despedidas, vou dar um até logo. Porque, quem sabe, a gente se encontra em outro Festival por aí. Ou no Rio mesmo, em 2010.
Obrigada a equipe de imprensa do Festival do Rio – Lilian, Flávio, Françoise, Léo, Paulo – pela ajuda nos eventos, cabines e entrevistas; à Renata Cajado e galera da Fox pelo convite para entrevistar Marc Webb; à Cecília Morais e à Paramount pelo convite para a coletiva do Quentin Tarantino (mesmo ele não vindo, a gente fica feliz por ser lembrado); ao Maneco Silveira e Europa Filmes pelo convite para a sessão especial de Embarque Imediato; a todos os assessores de distribuidoras pela ajuda nas informações fundamentais para as pautas do blog; à equipe do Pipoca Combo, liderada pelo Arthur Melo, e ao Vírgula, pela confiança; ao apoio paulistano do Léo Francisco, do Universo Animado, e aos fiéis leitores desse blog.
Hasta la vista, baby!
Top 5 Melhores
1 – O Segredo dos seus Olhos - o filme de Juan José Campanella (O Filho da Noiva) tem drama, comédia, suspense e romance na medida certa, com roteiro e direção impecáveis. E ainda a brilhante atuação de Ricardo Darín como o funcionário do Tribunal de Justiça que entra a fundo na investigação de um assassinato e, 25 anos depois, tenta retomar sua vida ao mesmo tempo em que escreve um romance. O melhor de todos.
2 – Mommo - o diretor Atalay Tasdiken estreia no cinema com a sensível história de dois irmãos que lutam para não se separar após a morte da mãe e o abandono do pai. Um filme emocionado e emocionante e um dos destaques da Mostra da Turquia.
3- The Burning Plain - o roteirista Guillermo Ariaga arrasa na estreia como diretor, trazendo Charlize Theron e Kim Basinger (foto) na trama sobre quatro mulheres que tentam resolver suas vidas. Cheio de boas sacadas na história, trilha inspirada e um final apoteótico, em que a montagem dá show. Perfeito.
4 – A Caixa de Pandora - mais um filme arrebatador da Mostra da Turquia. A trama fala sobre a velhice, a morte e as complicadas relações familiares. O diretor Yesim Ustaoglu faz uma interessante contraposição entre as paisagens rurais e urbanas, sendo que em ambas predomina um registro seco e opressivo. Arrancou lágrimas e aplausos.
5 – (500) Dias com Ela - o primeiro longa de Marc Webb é uma comédia romântica às avessas: o mocinho se apaixona pela mocinha, ficam juntos, se divertem, mas ela não gosta dele. E fala na cara, sem dó nem piedade. Cruel, verdadeiro e com uma das melhores trilhas sonoras do cinema. O filme fofo do Festival.
Menção Honrosa: Distrito 9 - o gênero ficção científica ganhar um novo contexto a partir de agora. Inteligente e interessante, o longa dirigido pelo o jovem sul-africano Neill Blomkamp e produzido por Peter Jackson narra a história de extraterrestres que invadiram a Terra com ose fosse um documentário, abordando o preconceito entre humanos e alinígenas tal como vimos, em tempos recentes, na Áfirca do Sul. O filme do ano.
Top 5 Piores
1 – Insolação - Daniela Thomas e Felipe Hisch dirigem uma história sem pé nem cabeça. Bizarro.
2 – Como desenhar círculos perfeitos - Só o título presta. Roteiro mal escrito, direção pretenciosa, atores ruins, um engodo.
3 – A próxima estação - mestre Solanas faz um documentário histórico sobre a privatização do sistema ferroviário argentino. Bom para eles, para nós… sonolento.
4 - O dia da transa – o filme começa engraçado e acaba enfadonho. A típica piada que ninguém ri no final.
5 – Jericó - não é de todo ruim, mas o remake O destino bate à sua porta, com Jack Nicholson e Jessica Lange, é muito melhor. Aí, já era, dançou.
Menção honrosa: Natimorto - a história é legal, mas Lourenço Mutarelli deveria continuar só como quadrinista, pois como ator ele é um fiasco.
Tags: (500) dias com ela, A caixa de pandora, A próxima estação, Como desenhar círculos perfeitos, Distrito 9, Insolação, Jericó, Mommo, Natimorto, O dia da transa, O segredo dos seus olhos, The Burning plain
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A última entrevista que fiz no Festival do Rio foi hoje, dia seguinte da final do evento. Falei com o simpático Paulo Halm, diretor de História de Amor duram apenas 90 minutos, o filme brasileiro mais visto no Festival.
A seguir, o bate-bola com o roteirista dos premiados Guerra de Canudos e Pequeno Dicionário Amoroso, que se revelou um ótimo diretor em sua estreia.
Pipoca Combo - O que você aponta como as principais diferenças entre escrever um roteiro para outra pessoa dirigir e dirigir seu próprio roteiro?
Paulo Halm - Eu costumo brincar dizendo que a única diferença que existe é que escrever para terceiros tem um cheque me esperando, enquanto que pra mim mesmo, não rola este “incentivo”… Mas a verdade é que escrever pra si próprio é mais solitário, não há uma interlocução e portanto, é necessário um rigor autocrítico muito grande. Por outro lado, há mais independencia, o processo acaba sendo mais autoral. Mas tecnicamente, não há diferença nenhuma. E na transposição do roteiro para o filme, ele passou pelos mesmos processos que passaram os roteiros que escrevi pra terceiros. Como diretor fiz as intervenções e mudanças necessárias e que todos os diretores fazem nos roteiros, independente dele ter sido escrito por mim mesmo.
Pipoca Combo - Como surgiu a ideia da trama de Histórias de amor duram apenas 90 minutos?
Paulo Halm - Na verdade, eu queria fazer um filme de dramaturgia razoavelmente simples, do ponto de vista de produção, com poucos cenários, poucos atores, que me permitisse filmar em pouco tempo e com pouco dinheiro. Sei o quanto é dificil erguer um projeto e tinha clareza de que, como diretor estreante, tudo seria mais dificil pra mim. Então busquei uma história que me permitisse filmar, sem sobressaltos nem sofrimentos. Depois, havia a clareza de fazer um projeto que dialogasse com o público. Tenho uma facilidade de escrever sobre situações amorosas, sobre relacionamentos, e sempre com um olhar crítico e cômico. Tinha claro que um filme que transitasse entre a comédia e o discurso sobre relacionamentos poderia render um bom primeiro filme. E finalmente, sou fascinado pelo tema do rito de passagem, da transformação que todos nós passamos da juventude para a vida adulta. É um tema que me é muito caro. Filmes que mostram o processo, muitas vezes, doloroso de amadurecimento e de transformação. Dentro desse conceito, um personagem que se recusa ou tem dificuldade para amadurecer, e que se sabota, às vezes conscientemente, me pareceu o protagonista ideal. Até porque um personagem “errado” reflete mais e melhor do que um personagem positivo. a gente se identifica mais nos erros do que nos acertos, não é mesmo? Então, somando essas coisas, fui construindo a historia. Falando assim parece tudo muito premeditado, mas na verdade a história foi fluindo natural e mesmo espontâneamente, sem nenhuma certeza. Tanto que é o roteiro que escrevi mais rápido de todos, não levei mais do que duas semanas para fazê-lo.
Pipoca Combo - No filme, o personagem de Caio Blat supõe a traição, uma coisa meio Dom Casmurro, e o espectador fica na dúvida se a Julia traiu ou não. Você acha que sugerir a situação é melhor do que mostrar?
Paulo Halm - Outra brincadeira que eu faço é que esse filme é um encontro inusitado entre Machado de Assis e Carlos Zéfiro, o papa do quadrinho erótico brasileiro, num pé sujo da Lapa. O filme tem muito de Machado, sim, não somente na questão da traição ou não de Julia, que remete ao mistério da Capitu. Mas a própria narrativa em primeira pessoa se aproveita de recursos metalinguísticos muito comuns em Machado, de interromper a objetividade narrativa para voltar-se ao espectador (leitor) e dialogar com ele. Fazemos isso muitas vezes no filme. Acho que deixar para o espectador completar as lacunas da história, torná-lo co-narrador do filme, torna a obra mais rica, mais ampla. No fundo, fica sempre a duvida se aquilo tudo é real ou se na verdade, o filme não seria o livro que o Zeca está escrevendo… esse jogo metalinguístico é bastante rico, abre diversas possibilidades de interpretação, de leituras… Uma coincidência interessante: Maria Ribeiro interpretou Capitu, numa montagem teatral, anos atrás…
Pipoca Combo - O fato de Caio e Maria Ribeiro serem casados na vida real gerou muito burburinho. Como foi a escolha dos atores para protagonizar o filme?
Paulo Halm - Na verdade, não é necessidade do filme que o casal fosse feito por um casal de verdade. O burburinho existe e é até bom pra divulgação pro filme, mas do ponto de vista dramatúrgico, não acho que acrescente muito. O importante era que o filme fosse feito por bons atores. Havia a questão das cenas de sexo e nudez, que ao meu ver, nem são assim tão intensas, são filmadas com elegância, sem exageros, a nudez é mostrada da forma mais natural possivel, sem apelações, como aliás, acho que devemos ver e filmar nudez ou sexo. O problema é que o cinema brasileiro está tão pudico e careta, que qualquer cena de nudez choca e escandaliza, houve até um ator ano passado que fez um escarcéu por conta disso, fez um auto-de-fé contra a nudez nos filmes, em suma, regredimos a um puritanismo hipócrita que não condiz com a nossa natural sensualidade, leveza, beleza tropical. Voltando a questão do elenco. Na verdade, o Caio sugeriu que a Maria fizesse a Julia, por achar que o fato deles serem casados poderiam transferir coisas da intimidade deles para o filme. Pra ser sincero, eu nem sabia que o Caio era casado com a Maria. No mais, eu conheço a Maria muito antes de conhecer o Caio, ela fez diversos filmes de amigos meus e ela mesma é uma cineasta, dirigiu um curta que eu adoro, chamado 25. De modo que gostei da sugestão mais pelo fato da Maria poder fazer a Julia do que por ela ser mulher do Caio na vida real… Mas penso que a Maria poderia muito bem ter feito a Carol, por exemplo, e a Luz Cipriota poderia ter feito a Julia… são excelentes atrizes, poderiam muito bem ter feito qualquer personagem. Aliás, a Carol foi a personagem que mais demoramos a fechar. Queriamos uma atriz jovem e loura argentina, mas quase todas as atrizes jovens e louras portenhas são ex-chiquititas e que trabalham basicamente com um público infanto-juvenil… e nenhuma delas estava disposta a se associar num projeto que tinha cenas de sexo, lesbianismo, etc. Houve muita recusa. Até que a moça que fazia nosso casting na Argentina sugeriu a Luz; ela havia feito o filme do Gael Garcia Bernal, Deficit, que aliás, foi exibido ano passado no Festival do Rio. Eu pensei que uma atriz que tinha feito filme com o Gael jamais se interessaria em fazer meu filme, mas pra minha surpresa, ela adorou o roteiro e topou o convite. Foi ótimo porque além de excelente atriz, da sua beleza estonteante, a Luz é uma pessoa doce, naturalmente simpática, carinhosa, e que imediatamente conquistou a todos do filme.
Pipoca Combo - Quais as perspectivas para o lançamento do filme em circuito?
Paulo Halm - Apesar de sermos um filme de estreante, melhor dizendo, duplamente estreante pois é o primeiro filme meu e também da minha produtora, Heloísa Rezende, feito com baixo orçamento ( é o filme mais barato exibido na Premiére Brasil, mesmo entre os filmes de estreantes ), caímos nas graças do Bruno Wayner, da Downtown, que viu o filme ainda em fase de montagem e adorou. Desde então, o Bruno tem sido de fundamental importância na carreira do filme. Foi ele que sugeriu que corressemos com a finalização, de modo a entrar no Festival do Rio. Tanto que o filme ficou pronto dois dias antes do festival começar, foi uma pauleira. Mas o Bruno estava certo, foi ótimo termos estreado no Festival. Além da Downtown, a RioFilme também se interessou pelo filme e vai entrar também na distribuição, de modo que o filme será lançado no verão de 2010, e espero que tenha a mesma boa aceitação de publico que teve no festival. Apesar de não termos ganho nenhum premio, fomos o filme brasileiro mais visto no Festival do Rio, na companhia de notáveis como Ang Lee, Almodovar e Tarantino. Ficamos em sexto lugar entre os 10 mais vistos, bem a frente dos demais concorrentes brasileiros. Pra um filme de estreante, de baixo orçamento, é quase um troféu. E, claro, um bom presságio.
Tags: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Paulo Halm
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Com estimativa total de público de 250 mil espectadores (cinemas e praças), o Festival do Rio chegou ao fim na noite de ontem. Confira a lista dos mais vistos.
1. Abraços partidos (foto)
2. (500) Dias com ela
3. Aconteceu em Woodstock
4. Bastardos Inglórios
5 . Coco antes de Chanel
6. Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
7. Tokyo!
8. Distante Nós Vamos
9. Sonhos Roubados
10. Nova York, Eu Te Amo
11. Matadores de Vampiras Lésbicas
12. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
13. Dzi Croquettes
14. Julie & Julia
15. O Desinformante!
Tags: (500) dias com ela, Abraços Partidos, Aconteceu em Woodstock, Bastardos Inglórios, Coco antes de Chanel, Distante nós vamos, Dzi Croquettes, Eu Te Amo, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Julie & Julia, Matadores de Vampiras Lésbicas, Nova York, O Desinformante, Sonhos Roubados, Tokyo!, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
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A cerimônia de encerramento do Festival do Rio 2009, aconteceu na noite de 8 de outubro, no Cine Odeon, e premiou como melhor filme brasileiro Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho (foto).
O filme marca a estreia em longa do diretor, que ficou conhecido após criar o vídeo Tapa na Pantera, que virou fenômeno na internet em 2007. Pra variar, o público foi na contramão do júri – presidido pelo diretor argentino Fernando Solanas e composto pelo produtor alemão Roman Paul, pelo diretor e produtor do canal francês ARTE, François Sauvagnargues, pela cineasta Helena Solberg e pela atriz Julia Lemmertz – e escolheu Sonhos Roubados, de Sandra Werneck, como melhor filme. O longa também rendeu o prêmio de melhor atriz para a jovem Nanda Costa.
Os atores Chico Diaz e Luiz Carlos Vasconcellos dividiram o troféu de melhor ator por O Sol do Meio-Dia, de Eliane Caffé, filme que entrou de última hora na programação. Na premiação de coadjuvantes, a atriz Cássia Kiss levou o Troféu Redentor por Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi, e Gero Camilo o de ator por Hotel Atlântico, de Suzana Amaral.
O Troféu Redentor de melhor direção foi entregue à dupla Karim Aïnouz e Marcelo Gomes por Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, que também foi reconhecido na categoria fotografia – um prêmio dividido com O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant.
Os Inqulinos, escrito por Beatriz Braga e Sergio Bianchi, confirmou o favoritismo e levou o prêmio de melhor roteiro.
Na disputa de documentários, um empate: Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, e Reidy, a Construção da Utopia, de Ana Maria Magalhães, racharam o prêmio.
O documentário Tamboro, de Sergio Bernardes, também ganhou o prêmio especial do júri e o de melhor montagem.
Tags: Cássia Kiss Cássia Kiss, Chico Diaz, de Sérgio Bianchi, Esmir Filho, Gero Camilo, Hotel Atlântico, Luiz Carlos Vasconcellos, Os Famosos e os Duendes da Morte, Os inquilinos, Sandra Werneck, Sonhos Roubados, Suzana Amaral., Troféu Redentor
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Último dia do Festival do Rio e a chuva não deu tréguas. Ilhada em Botafogo, mudei toda minha programação e vi filmes surpreendentes. Para começar, A Siciliana Rebelde, baseado na história real de Rita Atria, uma siciliana de 17 anos que, em novembro de 1991, depôs num tribunal em busca de vingança pela morte de seu pai e seu irmão, ambos considerados ‘Homens de Honra’ do mais famoso grupo criminoso da Sicília.
Esta foi a primeira vez que uma garota de família ligada à máfia quebrou o temido código do silêncio. Desde aquele momento, ela estava com os dias contados. Rita viveria mais nove meses. Repudiada por sua própria mãe e abandonada pelo namorado, foi isolada de sua comunidade e se viu forçada a se mudar para Roma.
O juiz Paolo Borselino, a quem ela passou a chamar carinhosamente em seu diário de Tio Paolo, colocou-a sob sua proteção e a ajudou em sua cruzada pela justiça. Mas suas esperanças diminuíram quando a máfia eliminou não apenas o atencioso tio Paolo, como o famoso juiz Falcone. Na recusa de ser a próxima da lista, Rita Atria cometeu suicídio. Mas imortalizou nas páginas de seu diário um corajoso testemunho contra seus algozes, mas que nunca foi publicado. O público poderá conhecer boa parte de seu relato póstumo neste documentário interessante e intenso.
Na sequência, mais uma produção baseada em fatos reais: Polytechnique. Dirigido pelo cineasta canadense Denis Villeneuve, o filme aborda o trágico massacre na Escola Politécnica de Montreal que resultou na morte de 14 mulheres em 1989. Um rapaz de 25 anos invadiu a sala de aula e ordenou que os homens se retirassem da sala, permanecendo somente as mulheres. Gritando: “você são todas feministas!?”, ele começou a atirar enfurecidamente, saindo pelos corredores da escola e matando 14 mulheres, à queima roupa. Em seguida, suicidou-se.
O rapaz deixou uma carta na qual afirmava que havia feito aquilo porque não suportava a idéia de ver mulheres estudando engenharia, um curso tradicionalmente dirigido ao público masculino. O crime mobilizou a opinião pública canadense, gerando amplo debate sobre as desigualdades entre homens e mulheres e a violência gerada por esse desequilíbrio social.
O filme, todo em preto e branco, conta a história sob o ponto de vista do assassino e de duas de suas vítimas – Valérie e Jean-François. Ambos têm suas vidas modificadas por conta de tragédia. Embora não aprofunde a vida e a relação entre os personagens, Polytechnique é um relato forte de um acontecimento absurdo. Bom quando o cinema nos faz refletir.
Ainda conferi a sessão dupla de American Boy e American Prince. American Boy é o famoso – e obscuro – documentário de Martin Scorcese. Na mansão do ator George Memmoli, Scorsese escuta seu amigo Steve Prince (foto), mais conhecido como Easy Andy, o vendedor de armas do filme Taxi Driver. Filho do diretor da agência William Morris, Steve conta vivamente sua história pessoal, começando pela infância como um judeu de classe-média. Com grande sinceridade, aborda também os problemas que marcaram sua vida, como a obsessão por armas e o vício em heroína.
Filmado em Em 1978, o documentário nunca teve um lançamento decente e até hoje suscita a curiosidade de cinéfilos e cineastas. Este ano ele ganhou novo documentário, American Prince, de Tommy Pallotta.
Prince é ex-ator, ex-viciado em drogas, ex-roadie do cantor Neil Diamond e, principalmente, um contador de histórias nato, cuja vida pessoal tem mais interesse do que muitos roteiros fictícios. Achei o máximo descobrir que certo episódio da sua vida inspirou uma cena de Pulp Fiction, de Quentin Tarantino.
A notie terminou com risadas. Fais moi plaisir, comédia pastelão francesa, conta a história de Ariane, que está convencida que seu parceiro, Jean-Jacques, deseja outra mulher.
Para salvar o relacionamento, ela vê apenas uma saída: que ele tenha de fato um caso com essa mulher de seus sonhos, Elisabeth. Desta forma, saciaria seu desejo e voltaria à normalidade de sua vida de casal. Jean-Jacques parte, então, ao encontro de Elisabeth. O que ele não sabe é que sua futura amante, é filha do presidente da França.
Cheio de situações previsíveis e piadas fáceis, Fais moi plaisir é comédia para passar o tempo e abstrair a mente. Inofensiva, mas que diverte. E daqui a pouco tem os vencedores do Tróféu Redentor. O tempo não pára no Festival do Rio, só chove, mas isso não atrapalha o maior evento da América Latina.
Tags: A siciliana rebelde, American Boy, American Prince, Fais-moi Plaisir!, Polytechnique, Pulp Fiction
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 Créditos: Bruna Barbosa
Victor César Bota revela que não pratica vale tudo porque ‘não gosta de apanhar’. Mas, ainda assim, é dele o roteiro e a direção de Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo, um dos destaques do Festival do Rio.
Bota veio de Nova Iorque, onde reside, especialmente para o Festival. No documentário sobre a família Gracie, criador do estilo brasileiro de jiu-jitsu e torneios de vale-tudo, ele mostra a trajetória e evolução do esporte a partir do núcleo familiar.
Para quem não conhece a história do clã, vamos auma introdução: em 1914, Carlos Gracie, um brasileiro franzino, aprendeu os segredos do jiu-jitsu, arte marcial proibida, desenvolvida ao longo dos séculos por guerreiros japoneses e para seu uso exclusivo.
Com 47 faixas pretas, centenas de títulos mundiais e, após quase um século, a família Gracie continua lutando com o mesmo e único objetivo: provar que suas técnicas de luta são as mais eficientes do que qualquer outra no mundo, transformando-os em uma das famílias mais importantes de atletas na atualidade. Das academias às ruas e às praias, o filme revela e explica ao espectador as origens humildes e a dinâmica familiar pouco comum deste clã de campeões.
Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo ainda documenta o progresso dessa família e o conflito entre os descendentes dos irmãos, Carlos e Hélio Gracie, seus exércitos de lutadores campeões, o enorme global business que criaram e relata histórias pessoais dos personagens mais lendários da família: Carlson, o lutador forte que rompeu com a família; Rolls, o herói trágico; Rorion, o empresário inescrupuloso; Royce, o novato e notável; Rickson, o campeão invencível, e Renzo, o reconciliador.
Em entrevista exclusiva, Bota revela que conheceu na infância Renzo Gracie e por achar interessante o universo da família, resolveu produzir o documentário.
“Um dia, em Nova Iorque, conversando com um amigo que lutava na academia Gracie, surgiu a idéia de fazer um filme sobre ele e ai acabou virando um filme sobre a família toda. Não sabia nada de jiu-jitsu, aprendi a história do esporte com a família”, diz.
O documentário foi exibido pela primeira vez no Festival do Rio e ainda não tem data para ser lançado. Mas, pela receptividade do público, já é um sucesso.
“A plateia aplaudiu de pé na primeira sessão do Festival, foi fantástico. Acho que todo mundo curtiu porque eu foco em assuntos mais familiares. É praticamente só sobre os assuntos deles, mais do que só sobre o jiu-jitsu.”
Bota informa que o documentário ainda passará por uma nova edição de som e 0utras finalizações antes de ser exibido em circuito. A finalização feita agora foi especialmente para o Festival. “Queria lançar no Rio”, revela, acrescentando que a família Gracie já viu o filme.
“Houve comentários, mas ninguém reclamou muito porque são eles quem contam a história. As pessoas estavam querendo falar e expor a verdade. Com certeza tem gente da família que não fica muito satisfeita, mas tinha que ser jornalístico, imparcial e foi o que eu fiz.”
Sobre o sucesso dos Gracie, ele é taxativo: os problemas familiares ajudaram no crescimento dos membros do clã no esporte. “Há uma competição entre eles, querendo superar uns aos outros. E assim eles ajudaram o jiu-jitsu a crescer.”
Tags: Os Gracies eo Nascimento do Vale Tudo
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Está chegando a hora de ir. O penúltimo dia do Festival do Rio foi cercado de belos rostos na telona, com os novos filmes de Gael Garcia Bernal e Audrey Tatou. Mas o dia começou com uma entrevista com o simpático Victor Bota, diretor do documentário Os Gracies e o nascimento do Vale Tudo e assistindo ao mexicano Purgatório.
O filme se passa nos anos 1950, quando o México passa por modernização, e conta três histórias independentes. A primeira história é sobre Bonfilio, que pede ao pai para cuidar de sua família enquanto ele vai para o Norte fazer fortuna. Os conflitos são resolvidos quando Bonfilio volta para dar o último adeus.
A segunda trama é sobre a vida da prostituta Lucia, que descobre o amor ao conhecer numa noite o coveiro Demetrio. A terceira história é sobre Don Julio, antigo fazendeiro, que delira de remorso após matar Cleotilde, com quem se casou por conveniência.
A narrativa do filme é legal, mas confesso que a fotografia é o melhor do longa: as duas primeiras histórias são em preto e branco, com alguns toques de cor; a terceira é colorida. Isso é o que encanta de fato, as imagens são melhores que o texto.
Em seguida vi Corações em Conflito, que traz Gael Garcia Bernal e Michelle Williams como Leo e Ellen, casal yuppie que vive em Nova York com a filha de oito anos, Jackie. Ele é criador de um website de sucesso, que vive entre grandes somas de dinheiro e importantes decisões. Ela é cirurgiã e passa longas horas trabalhando num hospital.
Obrigado a viajar à Tailândia a negócios, Leo tenta mudar sua perspectiva de vida durante a temporada no exótico país. Ao mesmo tempo, Ellen questiona suas prioridades ao perceber que a filha prefere a companhia de Gloria, sua babá filipina. Gloria, por sua vez, tem dois filhos em seu país natal que fazem de tudo para se juntar a ela.
O filme só engrena na metade. A primeira uma hora é cansativa e monótona. Depois ele deslancha, mostrando como pequenas decisões podem alterar facilmente nossas vidas. Destaque para o final que questiona o amor de mãe e coloca os workaholics em posições opostas. Fiquem atentos e aproveitem a mensagem do filme.
No final da noite foi a vez de conferir Coco Antes de Chanel, de Anne Fontaine, um dos filmes mais esperados do ano. Fiquei encantada com a história desta mulher de fibra, que revolucionou a moda. Atrevida, estilosa, irreverente, Gabrielle ‘Coco’ Chanel é a grande responsável pela virada da moda feminina, com o fim dos espartilhos e o uso da calça.
O longa retrata a vida de Gabrielle, como ela se tornou Coco, seus primeiros amores e as tragédias que fizeram dela um ícone da moda. É correto, digno, com boa fotografia e direção de arte. O destaque, obviamente, fica para a brilhante interpretação de Audrey Tatou (foto) – a eterna Amelie Poulain – que dá corpo, alma e muita força a Coco Chanel.
Mademoiselle Chanel tem uma frase que sempre achei muito boa: “Uma mulher possui a idade que merece.” Concordo plenamente. Ela mesma morreu com quase 90 anos, mas com a elegância e a beleza preservadas. Na telona, foi eternizada: o cinema acaba de transformar Coco em uma mulher além da marca Chanel.
Tags: Coco antes de Chanel, Corações em Conflito, Gael Garcia Bernal, Purgatório
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Se você perdeu algum filme durante o Festival do Rio, que termina amanhã, dia 8, aproveite a repescagem do Festival, no Espaço de Cinema 1, 2 e 3, de 9 da 15 de outubro. Com ingressos a 14,00 inteira e R$7,00 meia, você pode conferir filmes como Doce Perfume, 35 doses de rum e O corredor noturno. Veja os títulos e faça sua programação!
Saiba mais clicando em “Ver Completo”.
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Tags: Festival do Rio, repescagem
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The Burning Plain
por Janaina Pereira
Existem filmes bons, maravilhosos, brilhantes… adjetivo a gente coloca aos montes nas produções que curtimos. Mas existe também os filmes perfeitos, que causam aquela sensação agradável de ‘quero ver de novo agora’. Foi assim que me senti após ver The Burning Plain, a estreia na direção do roteirista Guillermo Ariaga (Amores Brutos, 21 gramas, Babel) – o último filme a ser liberado para exibição ao público no Festival do Rio e, por isso mesmo, com apenas seis sessões – duas já foram ontem.
Para começar, a trilogia que tornou Guillermo Ariaga famoso foi dirigida pelo ótimo Alejandro González Iñárritu. Mas, após ver The Burning Plain, ficou a impressão de que Ariaga poderia dirigir perfeitamente os filmes que escreveu. Ele consegue, inclusive, dar mais ritmo à trama do que Iñarritu. Mas não estou aqui para julgá-los, e sim para falar do filme. Que é ótimo, melancólico, surpreendente, bem ao estilo do Ariaga.
Não vou entregar a história porque o bom é ver o filme e descobrir os segredos dos personagens – e assim admirar o roteiro. O que você pode saber é que a trama analisa o vínculo misterioso que une Mariana (Jennifer Lawrence), uma jovem de 16 anos que procura recompor o casamento de seus pais em uma cidade junto à fronteira do México, Sylvia (Charlize Theron, sem maquiagem e linda – foto), uma mulher de Portland que transa com desconhecidos, Gina (Kim Basinger, com maquiagem e mostrando honestamente suas rugas), a mãe de Mariana, que tem um amor clandestino, e Maria (Tessa La), cujo pai sofre um acidente de avião.
Como as vidas dessas mulheres vão se entrelaçar é a grande sacada do roteiro, e aí a mão de Ariaga fica evidente: é o seu estilo, seu jeitinho particular de desconstruir o tempo e unir algo aparentemente sem o menor sentido. A direção acompanha o ritmo do longa, a montagem dá show – especialmente na já antológica sequência final - a trilha sonora pontua o filme com suavidade e melancolia, e o filme termina como tem que terminar, dando a tal sensação de que foi realizado com perfeição.
The Burning Plain inclui tudo que Guillermo Ariaga costuma colocar em seus roteiros, muitas histórias que se unem, acidentes, morte, superação, melancolia, redenção. Mas, dessa vez, ele é quem diz que imagens suas palavras devem ter.
Muita gente vai dizer que o cineasta é repetitivo, e nunca vai sair da fórmula que criou para contar suas tramas. Bobagem. Já citei aqui nestes dias de Festival do Rio que Almodóvar e Sam Mendes mudaram o rumo de suas carreiras enquanto Tarantino continua o mesmo, ainda que fazendo filme de guerra.
É possível se reinventar ou ser sempre o mesmo com criatividade e estilo. Por enquanto, Ariaga está bom do jeito que é: denso, melancólico, indo e vindo com histórias que nos conquistam rapidamente. The Burning Plain é um dos melhores filmes do Festival e do ano. E mais uma prova de que no roteiristas que viram diretores conseguem brilhar além das palavras que escrevem.

The Burning Plain (EUA, 2009). Drama.
Direção: Guillermo Ariaga
Elenco: Jennifer Lawrence, Charlize Theron, Kim Basinger e Tessa La
Tags: Guillermo Ariaga, The Burning plain
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Rio 36°. A terça-feira foi de muito suor nas ruas, mas as salas de cinema do Festival do Rio estavam fresquinhas graças ao ar condicionado gélido. Filmes que chegaram por último ao Festival ganharam minha atenção hoje, a começar por The Messenger, do norte-americano Oren Moverman, vencedor do 35º Festival de Cinema de Deauville.
The Messenger retrata a guerra no Iraque do ponto de vista do sargento Will Montgomery (Ben Foster), que regressa aos Estados Unidos para informar às famílias sobre a morte dos soldados que estavam em combate. O filme é bacaninha, tem atores como Woody Harrelson,Samantha Morton e Steve Buscemi fazendo papéis secundários, mais importantes, e mostra toda a dor dos parentes que recebem a notícia de que seus filhos e maridos não vão mais voltar. Apesar do tema tão delicado, não apela para lágrimas fáceis e dá seu recado.
Na sequência vi Para quem você ligaria?, mais um argentino na minha lista. A história é melhor contada do que vista: um solitário homem, com cerca de quarenta anos, vive uma grande crise. Andando na rua, encontra sua namorada jantando com o ex-noivo. Apesar de pressentir que o namoro está próximo do fim, permanece imóvel, sem reagir.
Sua existência letárgica contrasta com a vida de seu melhor amigo, que se tornou um advogado de respeito. O relacionamento que mantém com a ex-mulher, por sua vez, é um tanto complicado, e a única coisa que os une é um filho pequeno. Diante da dificuldade em lidar com as pessoas, ele se pergunta: em um momento de emergência, se precisasse ligar para alguém, quem seria?
Infelizmente o filme não aprofunda o tema da solidão, que renderia uma ótima história. Fica mais na promessa e acaba sendo apenas regular.
Por último foi a vez do filme que mais esperei para ver no Festival. Só me restava um ingresso via credencial, e ele foi guardado até o último minuto para ver The Burning Plain. Apenas ontem foi liberada a sessão deste longa, a aguardada estreia na direção de um dos meus roteiristas preferidos, Guillermo Ariaga (Amores Brutos, 21 gramas, Babel). E somente hoje o público pode apreciar o filme. Agora o meu desafio: falar da história sem revelar seus segredos.
Para quem não sabe, o mexicano Ariaga ficou conhecido por fazer roteiros em que várias histórias se entrelaçam, em linguagem não linear. A trilogia que o tornou famoso, dirigida pelo seu compatriota Alejandro González Iñárritu, lançou o nome de ambos ao estrelato, à indicações ao Oscar e a uma briga pública sobre quem é o autor das tramas. Agora ele foi para trás das câmeras e mostrou que poderia perfeitamente ter feito a famosa trilogia sozinho. O cineasta mantém a mão firme de roteirista, com o mesmo jeito que o caracterizou, e ainda dá mais ritmo à trama, fazendo de The burning plain um filme ágil, uma aula de roteiro, direção e, especialmente, montagem – a sequência final é uma das coisas mais perfeitas que já vi no cinema.
A história analisa o vínculo misterioso que une Mariana (Jennifer Lawrence), uma jovem de 16 anos que procura recompor o casamento de seus pais em uma cidade junto à fronteira do México, Sylvia (Charlize Theron), uma mulher de Portland que transa com desconhecidos, Gina (Kim Basinger), a mãe de Mariana, que tem um amor clandestino, e Maria (Tessa La), cujo pai sofre um acidente de avião. Como a vida dessas mulheres vão se entrelaçar é a grande sacada do roteiro, mostrando o velho estilo de Ariaga com um toque diferente. A direção acompanha o ritmo – é precisa, segura, dinâmica. A trilha sonora pontua o filme com suavidade e melancolia. E a história termina sem se alongar, sem se explicar, na cena certa, no momento exato. Perfeito.
Embora eu tenha me encantado por alguns filmes nestes dias, somente dois me deram esta sensação de perfeição, de ver tudo se encaixando de forma brilhante, do ‘timing’ cinematográfico que nem todo cineasta tem. Juan José Campanella com seu O segredo dos seus olhos consegue tal proeza. Guillermo Ariaga também.
Infelizmente nem todo mundo está preparado para um filme desses e fiquei muito surpresa com a frieza com que o longa foi recebido. Ninguém aplaudiu, pelo contrário, rolou um silêncio constrangedor ao final da sessão. Torço muito para que no circuito comercial – o filme estreia em dezembro – ele tenha mais sucesso.
Aproveitem que ainda temos 48 horas de Festival do Rio e corra para ver as quatro últimas sessões de The Burning Plain, não só um dos melhores filmes do Festival mas também um dos melhores do ano. E Deus salve a América Latina e seus cineastas maravilhosos.
Tags: 21 gramas, Alejandro Inarritu, Amores Brutos, Babel, Guillermo Ariaga, The Burning plain
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