
Estréia amanhã nos cinemas do país um dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme, O Leitor. Confira na crítica abaixo se o filme realmente faz jus à indicação que recebeu.
O Leitor
Por Breno Ribeiro – crítico e colunista
Hollywood gosta de recriar momentos históricos, principalmente quando os mesmos envolvem grandes tragédias e uma comoção do público que acontece já nas primeiras cenas, uma vez que ele já conhece (ou deveria) o final. Entretanto, poucos são os longas que conseguem criar uma boa história deixando a História apenas como última temática em uma escala de importância. O último filme de Stephen Daldry, O Leitor, baseado no romance de mesmo nome do alemão Bernhard Schlink, consegue isso com perfeição.
Deixando toda uma temática envolvendo o nazismo alemão como pano de fundo ou como inexistente maior parte do tempo, Daldry conta a história (em um imenso flashback) de Michael Berg, no começo um rapaz de quinze anos, que se envolve com Hanna Schmitz, uma mulher mais velha. Anos depois de Hanna ir embora repentinamente, Michael descobre o envolvimento da mulher com campos de concentração nazistas e um outro segredo que Hanna irá às últimas consequências para esconder.
Embora o longa seja basicamente sobre o segredo que Hanna esconde, tal segredo pode ser facilmente percebido em inúmeras cenas que precedem a “revelação” em alto e bom som. Entretanto, a “descoberta” prévia do segredo pelo público em nada prejudica as intenções de Dandry ou do roteirista David Hare. O desejo de ambos para que descubramos o que Hanna esconde antes de Michael (cujo ponto de vista é o único que acompanhamos) é claro. Assim, lotado de evidências óbvias até seu terceiro ato (quando a caracterização de Michael Berg passa a ser exclusivamente de Ralph Fiennes), o fato que Hanna esconde serve não para que nos aproximemos mais do personagem cuja visão seguimos, mas de sua amada. Isso é bem interessante uma vez que claramente compartilharíamos mais as emoções de Michael do que as de Hanna, o que não acontece. Logo, o momento da revelação soa mais catártico do que deveria, pois o conhecimento de tal fato nos dá uma impressão de alívio, a que é brutalmente quebrada quando Hanna decide não dizer a verdade.
Se o roteiro e a direção funcionam para que sejamos transportados não apenas para dentro de Michael, mas também para Hanna, as três atuações principais do longa não decepcionam. Vencedora do Globo de Ouro de Atriz Coadjuvante e indicada para o Oscar de Melhor Atriz desse mês pelo papel, Kate Winslet convence como Hanna por nos apresentar a uma mulher simples que esconde o que sente através de uma fina crisálida de seriedade. Já o jovem David Kross surpreende como Michael Berg em dois momentos de sua vida, a primeira como o adolescente apaixonado e sonhador e a segunda como o já fragilizado estudante de Direito anos após a partida de Hanna. Ralph Fiennes completa o time e dá o tom certo ao Berg mais adulto, já completamente destruído pelo segredo de Hanna e por sua covardia em não revelá-lo quando pôde.
As maquiagens e os figurinos encaram bem cada uma das épocas do longa. Já a trilha de Nico Muhly é a parte mais irregular do projeto. Tratando cenas aparentemente comuns com uma trilha forte e lenta, Muhly parece acreditar que a qualquer momento algo de grandioso acontecerá na projeção e algumas de suas melodias lembram músicas de aventuras infantis, ao mesmo tempo em que se encaixam, assim, perfeitamente bem em algumas passagens, a trilha se torna absurdamente contrastante ou obsoleta em outras.
O Leitor não é um dos favoritos ao Oscar, entretanto, caso o ganhasse, não seria nenhuma injustiça. Em um parâmetro comparativo, o filme possui roteiros e atuações melhores do que grande parte de seus concorrentes que prezam por campanhas comerciais gigantescas e consequentemente o apoio do público. Acho muito difícil que haja algum tipo de injustiça este ano pela Academia e, se houver o mínimo de justiça, O Leitor não sairá de mãos abanando.
























Eu gostei da trilha sonora :X Achei a história inovadora (mesmo sendo uma adaptação) e até agora é um dos que eu mais gostei. A fotografia do filme é excelente.. e não duvido nada que a Kate Winslet ganha o Oscar.
Sei lá, não gostei do filme. Não que ele seja ruim, mas não gostei tanto assim. E pelo menos por esse filme, a kate ganhar não seria tão justo assim. Na minha opinião eu acho que o filme não deveria estar entre os 5, mas ok.
Me interessei, vou ver
Tive a oportunidade de assistir ao filme hoje. Surpreendente!
Uma atuação tão natural… de uma sensibilidade!
Gostei muito. Não sabia o roteiro e, de repente, a história tomou um rumo inesperado.
Não tem aquela coisa de “final feliz”… é reflexivo!!!
Bom, valeu a pena!!!
Discordo completamente. O filme é uma porcaria sem propósito! O.o
Um Jovem estudante na Alemanha Oriental em 1958, Michael Berg (Kross), com apenas 15 anos, conhece por acaso a enigmática Hanna Schmitz (Kate Winslet) ao ser ajudado por esta quando passava mal em função da febre escarlatina. Depois de curado, ele procura a mulher para agradecer pelo auxílio e quando se dá conta, já está na cama com sua benfeitora, que, bem mais velha (35 anos), o apresenta às maravilhosas possibilidades do sexo. Apesar de viverem muitas tardes repletas de sexo, o momento mais íntimo dos dois é quando o jovem lê para sua musa, clássicos da literatura que pega na escola. A relação acaba se consolidando neste binômio sexo/livros em que os dois têm muito que aprender. Apesar da dupla se mostrar envolvida por completo o romance não dura mais de um verão. Os dois tocam suas vidas sem esquecer o que viveu até que o destino os coloca frente a frente. Estudante de direito, Michael viaja com a equipe de debates para assistir o julgamento de mulheres envolvidas com o assassinato de 300 judias em Auschwitz. Para a surpresa do jovem, Hanna é uma das mulheres que está sendo julgada. Se a primeira metade do “Leitor” é erótico e sensual, com corpos nus em vários estados de repouso e apaixonada vida amorosa, o segundo semestre se torna cada vez mais anti-séptico, um exercício de filosofia e moral e culpa. Construído em torno de Kate Winslet da enigmática Hanna, esta encenação impecavelmente, matizada drama não é facilmente esquecido. É o tipo de filme que você vai ter o seu questionamento, reações e é uma peça de hábil manipulação emocional de Billy Elliot e do Diretor Stephen Daldry. Kate Winslet é a verdadeira força que levanta um filme com um conceito provocativo, mas desiguais execução, para se tornar um drama absorvendo cerca de conciliar uma nação do passado. Uma viciada mistura de tema alémão “Sumer of’42″. Embora o Holocausto não é o foco central de “The Reader ‘, ele tem em cada cena deste filme, atos sobre segredos, decepção e redenção. Kate Winslet devidamente ganha seu Golden Globe e o cobiçado Oscar. Nota 10.0.
também não gostei do filme.
vago, de uma pseudo-sensibilidade focada em coisas toscas dado o contexto (ex: oh, a nazista pedófila que preferia a ordem às pessoas não sabia ler! tocante.. /ironiaoff)
talvez se o pano de fundo fosse qualquer guerra que não envolvesse genocídio, o filme ficasse melhorzinho. a subjetividade do assassino que não diz respeito aos seus motivos para matar não me interessa, realmente.
ainda mais quando há tantas e tantas vítimas que não puderam contar sua história..
.. Ou viver para escrevê-la.
filme muito bom; sensivel e inteligente; sua principal tematica é a culpa e a impossibilidade de rendenção;