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Estréia hoje nos cinemas brasileiros mais um candidato ao Oscar 2009. Uma narrativa comovente, mas forte; uma história com seu lado triste, mas que não deixa de ter suas grandes vitórias. Um filme que certamente traz às telas muitos dos elementos que compõem a vida admirável de um homem que não teve medo de ter coragem.

Milk – A Voz da Igualdade
Por Érika Zemuner – crítica e colunista

Um filme pode nos transportar ao âmbito político de uma época, sem nos poupar de nenhum detalhe que constrói o jogo nem sempre limpo de candidatos e aliados e, ao mesmo tempo, ser comovente, tocando a sensibilidade do público. Disso e muito mais é capaz Milk – A voz da igualdade, o mais novo longa sob a direção do cineasta Gus Van Sant, também responsável por filmes de uma linha mais cult, como o aclamado Elefante (2003).

Em sua nova obra, Van Sant repete o trabalho bem sucedido que lhe concedeu grande reconhecimento nas mais nobres rodas sociais e premiações do cinema. O longa, que leva no título o nome de seu protagonista, trata da biografia do ativista Harvey Milk, o primeiro homossexual assumido a conquistar um cargo público nos Estados Unidos, em 1977. Um ano mais tarde, porém, para a comoção das minorias que defendeu e de todos aqueles que apoiaram sua causa, Harvey seria assassinado pelo adversário político Dan White.

A narrativa se foca no período entre a chegada de Milk e seu companheiro Scott Smith a São Francisco, mais especificamente à região de Castro, e sua chegada ao poder depois de algumas derrotas e recusa em desistir de seus ideais. Logo de início, o longa procura, através de manchetes de jornais da época, contextualizar o público sobre que realidade os homossexuais americanos estavam enfrentando quando Harvey se atreveu a lutar por seus direitos. Tratava-se de uma época que a polícia, invés de defender seus cidadãos, ajudava na repressão àqueles que, segundo a sociedade, não respeitavam os valores familiares, hipocritamente protegidos por uma parcela homofóbica dos cidadãos. Aqueles que escolhiam “sair do armário” sabiam que andar na rua era correr o risco iminente de ser morto. Insatisfeito em se calar e se retirar da vizinhança de Castro Street, Milk Harvey decide tentar ser eleito como seu representante político com a ajuda de amigos e habitantes da região, até que finalmente consegue vencer a oposição dos adversários.

A recomposição dos elementos da década de 70 é um atrativo à parte. Além do noticiário que coloca o público em contato com o preconceito existente então, o filme muitas vezes usa de gravações originais da época. Entram em cena os próprios personagens que construíram, de certa forma, a biografia de Milk. São suas próprias palavras, nada é distorcido para que se criem as figuras do mocinho ou do vilão. Está tudo lá, documentado e apresentado àqueles que assistem à projeção. Isso tudo, junto a um figurino cuidadosamente remontado, nos convence facilmente que se trata de uma obra cheia de minúcias, tudo em prol da fidelidade aos fatos.

O grande destaque do longa, que concorre a 8 Oscar na premiação que acontece dia 22 de fevereiro, é a brilhante e impecável atuação de Sean Penn. Seus trejeitos, a entonação de voz, enfim, todo seu comportamento em cena dão ao personagem-título do filme uma autenticidade comovente. Impossível não sermos convencidos por suas palavras ou vibrar mentalmente com seus discursos e o debate que trava na corrida pela vitória. De acordo com a maioria das pesquisas realizadas em sites e revistas especializadas em cinema, Penn deve provavelmente perder o prêmio da categoria Melhor Ator para seu concorrente, Mickey Rourke (O Lutador), apontado como grande favorito. Mas não seria nenhuma injustiça se Sean Penn saísse da cerimônia com a estatueta.

Além de Melhor Ator, Milk – A voz da igualdade concorre a Melhor Filme e Melhor Diretor. É bastante difícil que a biografia de Harvey Milk consiga alcançar o feito de vencer, mas isso não deve decepcionar aqueles que torcem pelo longa. A história de vida de Harvey Milk é, sobretudo, uma mensagem de incentivo à coragem e à esperança. Não desistir, apesar de todos os problemas que iria enfrentar, foi o que fez o ativista homossexual conquistar o direito de uma minoria reprimida e o respeito de seus eleitores e amigos. E esse, certamente, seria para ele a maior vitória de sua vida, aquilo pelo que lutou durante uma breve e bem sucedida carreira política.

Nota 9

Milk (EUA, 2008). Drama. Biografia. Paramount Pictures.
Direção: Gus Van Sant
Elenco: Emile Hirsch, Sean Penn, Diego Luna, Josh Brolin e James Franco.

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14 respostas para »CRÍTICA: Milk – A Voz da Igualdade»
  1. Esse filme é muito bem feito. Só não achei tão comovente assim… e nem precisava ser, acho que ficou de bom tom o modo como foi feito. Agooora, o Sean Penn tá ma-ra-vi-lho-so nesse filme. Não faz nenhum gay afetadinho, mas também não deixo ele masculinizado, ele deixa o personagem no ponto.

    :’)

  2. EU VI HOJE. MUITO LINDO *____*

    FILME MUITO BOM!!!

  3. Não gostei. Prefiro Dúvida concorrendo a melhor filme no lugar de Milk. Boring. O que salva mesmo é a atuação do Sean Penn.

  4. Filme lindo, muito bem feito, com todos os atores divinos. Sean Penn fez um personagem perfeito, na medida certa. E a história é totalmente bem contada e tem horas que chega a emocionar mesmo.

  5. Adorei muuito *-* Não acho que ganhe, mas é muito bom e faz jus a indicação xD

  6. Bruno [2]

    Dúvida ou O Lutador…
    Milk é bom, só não entendi ainda da onde veio a indicação de figurino, era mais digno Dúvida ou Changeling ter sido indicado.

  7. Gostei muito de Milk. Confesso que quando assisti não sabia da história completa, então pra mim foi surpresa o que aconteceu e, principalmente, quando aconteceu. Mérito do Gus, que optou por uma linha mais tradicional pra dar mais destaque à mensagem da história (eu ainda prefiro aquelas indas e vindas intermináveis de Elefante e Paranoid Park).

    E Sean Penn, claro, está excelente.Em alguns momentos deu uma exagerada, mas no todo estava na medida certa.

  8. o filme é mt bm! Pra mim, vem pra copletar a “era Obama” que aposta nas minorias. Sean Penn esta excelente como Harvey Milk, representa perfeitamente o papel, sem deixar o espectador confuso sobre o que ele está fazendo e sobre oque ele de fato é.

  9. Sean Penn <3

  10. Merece os Oscar que concorre!

  11. E não é que ganhou??? :O

    Sean Penn sensacional! Mereceu.

  12. Sean Penn certamente mereceu!!!

  13. Willis de Faria diz:

    É a real história da Califórnia com primeiro cidadão eleito abertamente gay, Harvey Milk, foi supervisor da cidade de San Francisco, no Estado da Califórnia em 1978, pelo distrito de Castro, onde após cinco derrotas consecutivas, mas com apoio dos gays que saíram do “Guarda roupa, caminhoneiros, operários e professores Gays, preteridos no país em seu emprego, combatendo o puritanismo americano, após sua vitória política chega ao poder, em defesa de direito de igualdade para todos previsto na Constituição Americana. Uma onda libertária sexual se espalha por todos Estados Unidos, com inicio das “Paradas Gay”. Mas pela sua ousadia, foi ele assassinado juntamente com o Prefeito do distrito de Castro, por George Moscone, um supervisor puritanista católico irlandês Dan White. O filme foi indicado o Globo de Ouro. Obteve outras 12 vitórias e 24 nomeações (prêmios). A vida de Harvey Milk mudou história. Sua coragem mudou vidas. A intepretração de Sean Penn, é merecedora de um Oscar. Um filme, com grande movimentação, ações que envolvem os Hippies pela liberação da maconha, e que fielmente conta toda trajetória sobre os direitos de igualdade sobre a sexualidade e a liberdade de expressão. Nota 10

  14. Vi hoje este filme pela primeira vez. Como sempre, há quem diga que é excelente e há quem diga que não presta. Eu pertenço, sem dúvida, ao 1º grupo.

    É, de facto, um filme muito bom e que nos faz pensar nas injustiças cometidas e em algumas atrocidades cometidas.

    A prestação de Sean Penn foi, pura e simplesmente, brilhante. Todo aquele realismo é de arrepiar.

    Este filme é um “estalo de luva branca” na cara de todas aquelas mentes limitadas que pensam que ser gay é ter aqueles tiques todos e um ar afectado. Não é nenhuma doença nem nenhum “defeito de fabrico” como muitos pensam e pensaram ao longo dos tempos.

    Foi graças à personagem apresentada que o mundo deu mais um grande passo em direcção à civilização.

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