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A liberdade é algo que permeia o ser humano desde seu nascimento até seu último suspiro. Esse desejo que o move e o encarcera em um anseio inalcançável é o tema da coluna de hoje.

Libertas Quae Sera Tamen
por Breno Ribeiro – crítico e colunista

O que é a liberdade? Um conceito tão incrustado na mente de todos nós que nunca paramos para pensar no que de fato ela significa. Talvez nem seja possível. Como definir um sentimento que de certa maneira move a todos nós, esse sentimento de desprender-se, de viver por si só, de viver livre, de ser livre, ser autônomo. Mas até que ponto somos nós capazes de irmos para atingir um objetivo que a priori parece tão simples, mas que posto em prática se torna tão complicado quanto escapar da morte? Talvez um dos maiores anseios do ser humano, a liberdade mostra a nós um prumo inatingível, prumo este também sonhado por pelo menos noventa por cento dos personagens que já chegaram às telas.

De mocinhos a bandidos, de donzelas a prostitutas, de homossexuais a machões, de escravos a tiranos e de assassinos a suicidas, o que todos eles procuram pode ser resumido em uma única e singela palavra de nove letras: liberdade.

Se os protagonistas dos grandes filmes são, em sua grande maioria, personagens confiantes e corajosos, todos são acometidos pelo desejo indestrutível da liberdade, assim como seus arquiinimigos. Enquanto os bonzinhos querem se ver livres do mal que os assola e a humanidade em geral, os cruéis querem se ver livres dos entraves que os guiam sempre para a derrota iminente. De certa forma, ambos lutam pela  mesma causa. A causa que os levará de alguma maneira a se livrarem de algo ou alguém. O sentimento de impotência ou de dever cumprido, ambos cruzam o caminho do objetivo onírico comum a todos eles.

Sair de casa, se casar, viver um grande amor, esse é o sonho de quase todas as donzelas do cinema. Viver uma vida mais pautada nos comuns da sociedade, quiçá encontrar um grande amor ou ao menos se ver desprendida daquilo que a prende, esse é objetivo de praticamente cem por cento das prostitutas da cinematografia. Diferentes em seus mundos e experiências de vida, ambas as estereotipagens possuem o denominador comum que as coloca em pé de igualdade e que, se ignorarmos suas histórias anteriores, as torna igualmente sofríveis.

Enquanto ser aceito pela sociedade que os cerca pode ser um problema para grande parte dos homossexuais das telonas, as tentativas de ditar as regras desse tipo de sociedade é o que torna os machões tão desprezíveis. Por mais que tenhamos uma tendência maior a sentir pena ou compaixão pelo excluído social, não devemos nos esquecer de que o ‘ditador’ das regras é igualmente sofrível. Muito mais do que uma tentativa de se livrar do que é diferente, esse tipo de personagem representa a sociedade em si, sempre preconceituosa, e mostra, através de uma ironia psicológica muito comum a todos nós, como somos paradoxais. Ao mesmo tempo em que queremos uma liberdade que nos tornaria únicos, tentamos afastar aquilo que nos é diferente, numa tentativa de unificar um todo comum que vai contra os preceitos da liberdade em sua essência.

Criar leis, formar um estado e comandá-lo é a função dos tiranos, enquanto o objetivo de seus escravos é se ver livre. Talvez o desejo de liberdade dos escravos ou prisioneiros no geral seja, para nós, o de mais fácil entendimento. Eles representam a gana pela liberdade em sua mais óbvia e superficial aparência. Por outro lado, esse desejo também pode ser ensaiado nos tiranos que, por vezes, aparentam insatisfeitos com seu reino ou até mesmo desconfiam de todos a seu redor, em um claro ensejo pela liberdade, pela libertação de seus deveres e inimizades.

Talvez a segunda mais óbvia mostra de liberdade em cena sejam os suicidas, pois é óbvio que a pessoa que se mata está querendo se livrar de algo que a está consumindo de dentro para fora ou simplesmente se livrar do mundo em si. Quanto aos assassinos, podemos inferir que matar uma pessoa deva ser também uma forma de se libertar de algo que, diferente do suicida, vem de fora para dentro.

Traçando um paralelo imaginário que uniria todos os estereótipos analisados podemos perceber que, tal qual a natureza humana em si, o cinema se baseia muito em uma análise que sempre prevê uma espécie de libertação ou desejo de liberdade nos personagens. Nós mesmos somos assim. Alguns de nós, por um lado, entendemos que a liberdade é algo simples e conquistável se nos esforçarmos para a realização de sonhos e anseios. Outros de nós, por outro lado, entendemos a liberdade como um conceito abstrato e inalcançável, algo com o qual ansiamos, mas que na verdade nunca nos abraçará por completo em todos os âmbitos da vida.

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9 respostas para »COLUNA: Libertas Quae Sera Tamen»
  1. Sábio Spielberg. [S.S] diz:

    Gostei, mas acho que faltou a sinopse de algum silme ocupando um parágrafo, só pra eu me localizar!!

  2. ain, gostei bastante da coluna, breno. liberdade é algo meio complexo, ashoq. e cada um sente que tem a sua em um determinado ponto, né? alguns quando fazem 18, outros quando viajam sozinhos, outros quando vão embora. é subjetivo e tal, mas ashoq você escreveu super bem sobre isso :D

  3. Discordo em partes que os suicidas e os assassinos visem a liberdade, sempre acreditei que os meios deles indicavam mais covardia do que anseio por liberdade.

    Gostei do tratamento relativista do tema, afinal tudo muda de acordo com o ponto de vista? Um ditador crê que nos liberta até de nós mesmos, enquanto para quem escraviza, o escravo é a garantia de sua liberdade pessoal. É o ser humano em ignorância eterna, que julga sem conhecer, que cria pré conceitos sem estudar o seu semelhante…

    Liberdade, no fim do dia, é tudo que importa…

  4. nemli

  5. Ficou muito bonita e pans. Só discordo da parte dos suicidas.

  6. Leu sim
    /rs

  7. Ain, eu gostei bastante *-*
    Como eu disse, parece uam discussão acadêmica sobre algum livro o.o’

    Só faltou em você a sabedoria de colocar exemplos, heim.

  8. Não sei por que não concordam na parte dos suicidas.

  9. Sábio Spielberg. [S.S] diz:

    eu concordo plenamente!!!

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