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CRÍTICA: O Código Da Vinci


O Código Da Vinci
Por Arthur Melo

Um dos maiores fenômenos literários da atualidade sofre sua tão aguardada adaptação. O Código Da Vinci, do livro homônimo de Dan Brown, está pendurado nas salas de cinema de todo o planeta numa tentativa involuntária de atrair os olhos dos que antes apreciavam apenas a superfície da Mona Lisa – porém sem sucesso. Aplicado pelo em tese primoroso Ron Howard (Uma Mente Brilhante), a saga do historiador Robert Langdon e sua companheira Sophie Neveu em busca do Santo Graal é emoldurada pelas dúvidas e receios de dois bilhões de cristãos espalhados pelo mundo.

Fugitivos da cena de um crime patrocinado pela Igreja, Langdon e Neveu desvendam o mistério mais protegido do Catolicismo: a vida de Cristo como homem. Relações, fatos e pessoas que podem alterar os caminhos da fé e da humanidade.

Em várias passagens do livro há a introdução de parênteses na narrativa com o intuito de anexar explicações e aulas sobre o passado cristão ao diálogo dos personagens. Sendo este talvez o único critério que parece ter sido levado em consideração no roteiro. A progressão é lenta, as explicações – apesar de elaboradas – são breves e momentaneamente confusas, deixando no ar uma conclusão oculta que o espectador deve tirar por si só, excluindo, assim, aquilo que os protagonistas criados por Brown tinham de melhor. Não que pensamentos já digeridos devam ser difundidos através do filme, mas não há motivos para se quebrarem as linhas de raciocínio que construíam a personalidade de Robert e Sophie (esta, por exemplo, assemelha-se a uma aluna cheia de dúvidas em sala de aula do que uma inteligentíssima agente do governo francês).

Se o roteiro cometeu pecados imperdoáveis à escrita de Dan Brown, o mesmo pode-se dizer de Tom Hanks à figura de seu interpretado. A presença de Hanks não é o esperado para um filme desta categoria e a assimilação do papel complementada pelas características do ator não existe. Na verdade, Sir Ian MacKellen é o verdadeiro destaque para com o espontâneo Leigh Teabins.

O filme possui êxito, de fato, em um segmento que não atinge a todos: ilustrar o livro. Dialogar com a platéia já absorvida pelas páginas em questão é muito mais fácil do que com aquela que não as conhece. Criar na mente do cinéfilo simples o gosto pela história que está sendo transmitida é tarefa que o filme (ao contrário de ícones literários que passaram pela mesma experiência como Harry Potter e O Senhor dos Anéis) não se propõe a fazer. E, mesmo se o fizesse, teria como apogeu apenas o já conseguido com os leitores da trama: relembrar e destacar na memória imagens e locais configurados no momento da leitura. Mas, para isso, a outra metade da sala também teria de ter lido o roteiro original.

Uma resposta para »CRÍTICA: O Código Da Vinci»
  1. Axo que as critícas em cima do filme feitas Por Arthur Melo são exageradas.
    Ele citou apenas as partes negativas da adaptação, mas deixou de lado que o filme também tem partes positivas ( para min o filme tem mais fatores positivos do que os negativos mesmo porque não li o livro) . Além de mexer com um assunto estigante ele prende a atenção nas cenas de ação.
    Para min é um grande filme se levarmos em conta que a adptaçao das paginas para as telas não são faceis.

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